23.3.11

falofesto sáfico

A Eduardo Moreira Assis

é possível uma escrita fálica?
que penetre as vulvasconsciências?
rasge os hímens morais dos leitores?

mas radical que isso
não seria uma escrita uterina?
feminina & feminista
múltiplorgástica
sáfica
com o roçar de seus lábios
penetrando
mais fundo
do que qualquer falo

14.3.11

quis

o beijo é um voo
um sopro
um belo beijo
provoca um rasgo
na efemeridade do tempo

o beijo é um suspiro
sem gênero
sem sexo
beijo simples beijo
beijo simplesmente beijo

o beijo pode ser falso
quando só se encontram lábios
mas qunado temos
um verdadeiro beijo
mais que lábios - roçam almas
mais que lábios - encontram-se almas

2.3.11

Braudel

A William Gama
Narrante do inominável - o nome
Da História - Ciência do Tempo e do Homem
Buscando o Caminho - não a Pegada
Lendo o Mar - palimpsesto feito d'água

Mediterrâneo - nunca Mare Nostrum
Presença Humana - rastro quase-nenhum
Coroas & Cabeças - várias dinastias
Na simples duração de uma Maresia

16. IX. 10

26.2.11

Verão

água gelada
corpo quente

toalha morna
gelado corpo

23.2.11

May, 11th

A Renata Jerez

heavygrayclouds

hiding

paleblueskys

behind

RedpurpleorAngevIoletgreeNBlueyellOW

1.12.10

Wishlist

1. Andar menos em círculos
2. Não cometer os mesmos erros
3. Escrever como suspiro
4. Não acreditar mais nas canções de amor
5. Que todos os beijos sejam um voo
6. Paciência
7. Paciência
8. Paciência
9. Que eu não esqueça essa lista

19.11.10

caligrafia

Escrevi seu nome Ouro
tinta preta

Memória lembra Prata
escura escrita

Sendo somente Bronze
traçado breu

Nem tendo ao menos Branco
negro nada

24.9.10

Sade, Shakespeare & Co.

A Elias Nasser
Nem todas meninas
querem ser Julieta
algumas preferem
tentar ser Juliette
_____________- preciso conhecê-las

13.9.10

terceto

e quando a caneta falha
não é a oportunidade
para pensar em um melhor verso?

30.8.10

fantasma

queria na verdade ir lá. descer até a rua de dabaixo (mas também porque justo morar na rua de baixo?) subir até o terceiro andar - era terceiro mesmo? - bater na porta e olhar em seus olhos até eles se desencantarem para mim, se desencantarem de mim, para não serem nada mais do que puros olhos olhos-só, não serem mais a infinidade de coisas que escrevi, poço, piscina, o naufrágio, o caralho-a-quatro, e aquele rosto ser só mais um rosto, pronto, um rosto, não ser todo esse deslumbramento, e tudo não ser mais nada

os dias passaram, as semanas e os meses também, não exatamente nessa ordem, não exatamente na ordem lógica das coisas, onde um mês era um piscar, e a hora se arrastava por eras, o desenho já não tem mais linhas, perdeu nitidez, virou borro, as cores perderam a cor, será, será, um dia será só rosto

se as presenças fossem cotidianas, tudo se emendava, como naquela outra história, onde o encontro diário foi razão de paixão e seguida razão de desencanto, veneno & remédio mesma porção, mudando a dose, uma cura homeopática, mas de ti é tudo menos o dia a dia, você é o alumbramento e a assombração, aperece e some no instante, entra e sai por uma porta que eu não tenho a chave