12.8.12

esboço de um autorretrato

sou um
sou dois
sou sete bilhões
antena do mundo
mágoa-oceano
alegria colossal

girassol de Van Gogh
cálido e triste

miscigenação
do spleen e do banzô

dente cravado na carne
reflexo no escuro

poema de Maikóvski
parido em São Paulo

24.6.11

pequenas Fábulas da Academia



Gauche

- Não abdico de sentar onde quero
 e de ser em uma carteira canhota

- Mas por quê? Você nem faz anotações em todas as aulas

- Anotações? Fico preocupado
 é se surgir a poesia ...

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materesmofo


os militantes mais furiosos
são os que possuem mais vocação
para a burocracia acadêmica

e em uma metamorfose avessa
são borboletas se encasulando
para se tornarem gordas lagartas
(com título de professores-doutores)

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fábula de carteira

eu era uma vez um pequeno vândalo
graduando em História
rabiscando poemas nas carteiras

17.6.11

didática

não sei o que é Poesia
talvez saiba o que é poético
algo que habita
até mesmo debaixo do Minhocão

29.5.11

Mudança

no fim como no início
apresenta-se um grande vazio
não ousar chamar mais essas paredes de casa

espelhos apoiados no chão
o sofá já se foi
a descoberta de uma parede mofada
estante de madeira estragada

madeira apodrecida resiste
às repetitivas marteladas
e o eco que as multiplica

mãos sujas
algo escuro e espesso
mãos sujas
mas não de tinta

memórias encaixotadas
recolher o desnecessário
lixo para fora
gentalha para fora

casa nua
nua
mas não mais casa

no fim como no início
apresenta-se um grande vazio
não ousar chamar mais essas paredes de casa

19.5.11

Amadurecer é fazer as pazes com o Establishment ?

deve a arte
cO.Operar a cO.Optar
?

The Big Brother is watching you

11.5.11

Job

sempre há
alguém bem pior
alguém em pior
situação que você

em matéria de miséria
a vida é criativa

se Deus existe
eis então um Artista da Miséria!

26.4.11

Poesia escrita na caixa de mudança cheia de livros


Por que não escrever
na superfície
da caixa
poesia

Caixa que embala
dentro dela 
tanta outra
poesia



23.3.11

falofesto sáfico

A Eduardo Moreira Assis

é possível uma escrita fálica?
que penetre as vulvasconsciências?
rasge os hímens morais dos leitores?

mas radical que isso
não seria uma escrita uterina?
feminina & feminista
múltiplorgástica
sáfica
com o roçar de seus lábios
penetrando
mais fundo
do que qualquer falo

14.3.11

quis

o beijo é um voo
um sopro
um belo beijo
provoca um rasgo
na efemeridade do tempo

o beijo é um suspiro
sem gênero
sem sexo
beijo simples beijo
beijo simplesmente beijo

o beijo pode ser falso
quando só se encontram lábios
mas qunado temos
um verdadeiro beijo
mais que lábios - roçam almas
mais que lábios - encontram-se almas

2.3.11

Braudel

A William Gama
Narrante do inominável - o nome
Da História - Ciência do Tempo e do Homem
Buscando o Caminho - não a Pegada
Lendo o Mar - palimpsesto feito d'água

Mediterrâneo - nunca Mare Nostrum
Presença Humana - rastro quase-nenhum
Coroas & Cabeças - várias dinastias
Na simples duração de uma Maresia

16. IX. 10

26.2.11

Verão

água gelada
corpo quente

toalha morna
gelado corpo

23.2.11

May, 11th

A Renata Jerez

heavygrayclouds

hiding

paleblueskys

behind

RedpurpleorAngevIoletgreeNBlueyellOW

1.12.10

Wishlist

1. Andar menos em círculos
2. Não cometer os mesmos erros
3. Escrever como suspiro
4. Não acreditar mais nas canções de amor
5. Que todos os beijos sejam um voo
6. Paciência
7. Paciência
8. Paciência
9. Que eu não esqueça essa lista

19.11.10

caligrafia

Escrevi seu nome Ouro
tinta preta

Memória lembra Prata
escura escrita

Sendo somente Bronze
traçado breu

Nem tendo ao menos Branco
negro nada

24.9.10

Sade, Shakespeare & Co.

A Elias Nasser
Nem todas meninas
querem ser Julieta
algumas preferem
tentar ser Juliette
_____________- preciso conhecê-las

13.9.10

terceto

e quando a caneta falha
não é a oportunidade
para pensar em um melhor verso?

30.8.10

fantasma

queria na verdade ir lá. descer até a rua de dabaixo (mas também porque justo morar na rua de baixo?) subir até o terceiro andar - era terceiro mesmo? - bater na porta e olhar em seus olhos até eles se desencantarem para mim, se desencantarem de mim, para não serem nada mais do que puros olhos olhos-só, não serem mais a infinidade de coisas que escrevi, poço, piscina, o naufrágio, o caralho-a-quatro, e aquele rosto ser só mais um rosto, pronto, um rosto, não ser todo esse deslumbramento, e tudo não ser mais nada

os dias passaram, as semanas e os meses também, não exatamente nessa ordem, não exatamente na ordem lógica das coisas, onde um mês era um piscar, e a hora se arrastava por eras, o desenho já não tem mais linhas, perdeu nitidez, virou borro, as cores perderam a cor, será, será, um dia será só rosto

se as presenças fossem cotidianas, tudo se emendava, como naquela outra história, onde o encontro diário foi razão de paixão e seguida razão de desencanto, veneno & remédio mesma porção, mudando a dose, uma cura homeopática, mas de ti é tudo menos o dia a dia, você é o alumbramento e a assombração, aperece e some no instante, entra e sai por uma porta que eu não tenho a chave

24.8.10

saramago

A Rafael de Souza Menezes
por que não se livrar de todos os pontos
vamos nos livrar de todos os espaços vagos
restar somente vírgula
e depois se livrar dela também
e só restar eu aqui te contando uma história
não tendo nem mais espaço entre os parágrafos
sem todo esse
espaço entre nós
te contando uma história
quase ao pé do ouvido
olhos nos olhos